29 de novembro de 2011

Eunice Muñoz


Andre Kosters/Lusa

Se a memória não me atraiçoa, a primeira vez que vi a Senhora Eunice Muñoz representar foi numa das transmissões que a RTP fazia de peças de teatro à sexta-feira à noite, tinha eu 6 ou 7 anos. A peça em questão intitulava-se “Mãe Coragem e seus filhos” de Bertolt Brecht e a Senhora Eunice era naturalmente a protagonista Anna Fierling, a Mãe Coragem.  
Naquela altura, pela idade que tinha, penso não ter percebido grande parte do que se passava ali naquela história, onde uma senhora de cabelo grisalho com uma touca na cabeça e uma saia comprida, falava com grande carga dramática, transmitindo-me o sofrimento que a perda dos seus filhos lhe impunha, sendo impossível ficar-lhe indiferente.
No início do ano passado tive o privilégio de assistir ao vivo a uma peça interpretada pela Senhora Eunice Muñoz. A peça é um monólogo intitulado “O ano do pensamento mágico” de Joan Didon, que relata na primeira pessoa a história verídica do seu drama familiar, motivado pela perda do marido e da filha. Durante mais de uma hora a Senhora Eunice Muñoz interpretou aquele texto com uma carga emocional pesadíssima, de forma absolutamente arrebatadora. Outra coisa não seria de esperar pelo seu talento inquestionável apesar dos seus mais de oitenta anos.
Ontem o seu septuagésimo aniversário de carreira foi celebrado com uma condecoração por parte do Presidente da República. Foi-lhe atribuída a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, ordem honorífica portuguesa que pretende distinguir as figuras da cultura que levaram bem alto o nome de Portugal. Sinto-me extremamente satisfeito por ser reconhecida a importância de uma figura ímpar da cultura portuguesa como a Senhora Eunice Muñoz, principalmente ainda em vida.

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